Por Equipe JK

 

Celeiro de craques no futebol, Ribeirão Preto também produz talentos em outras modalidades. Na última semana, o goleiro Kaique Ferreira de Oliveira Firmino, de 16 anos, foi convocado para defender a seleção brasileira sub-17 de futsal nos Jogos Sul-Americanos da Juventude, no Panamá. Criado na Lagoinha, o atleta atualmente defende o Palmeiras e se prepara para uma viagem internacional em verde e amarelo.

“É uma sensação inexplicável”, afirmou Kaique | Divulgação

A notícia da convocação veio por meio de uma ligação do seu treinador no Verdão, Thiago Padula. “É uma sensação inexplicável, pois foi em um momento muito inesperado e uma surpresa para mim”, relembra o goleiro. No momento do anúncio, o destino quis que o roteiro fosse perfeito: ele estava ao lado do pai. “Logo já avisei meu pai que estava do meu lado e a gente se abraçou, uma emoção muito grande.”

Quem vê Kaique hoje, firme sob as traves de um dos principais clubes do país, pode não imaginar as barreiras que ele precisou saltar. A principal delas foi distância para sua casa. “No início, eu sofria muito de saudade da minha família, mas graças a Deus tive o apoio do meu pai, que foi essencial para minha evolução”, revela.

Nesse cenário, a figura paterna transcendeu o papel de torcedor para se tornar o alicerce do projeto de vida do jovem. O pai do jovem abraçou o sonho do filho, largou a rotina em Ribeirão Preto e passou a acompanhá-lo na capital. “Minha principal fonte de inspiração é minha família, principalmente meu pai, que largou tudo em Ribeirão para viver do meu sonho junto comigo, sempre me deu apoio e fez de tudo para me acompanhar na minha carreira.”

Decidido e determinado

Como quase todo menino brasileiro, o sonho inicial de Kaique passava pelos gramados do futebol de campo. No entanto, o destino impôs um novo rumo. “Foi uma escolha muito difícil a se fazer, pois eu também tinha o sonho do campo. Mas, por conta da minha altura, acabei ficando no futsal, que é o esporte que eu amo e sou muito feliz”, explica o goleiro, que jamais voltou atrás na decisão.

O ribeirão-pretano busca inspiração em gigantes da modalidade para moldar seu próprio estilo e leva como referências os arqueiros Leo Higuita, brasileiro naturalizado cazaque, e Nicolas, do Jaraguá Futsal. Em um esporte cada vez mais dinâmico, Kaique entende que o goleiro moderno precisa ser completo. “Jogar com os pés, para um goleiro do futsal, hoje em dia, é essencial. Por isso, treino bastante para ajudar a equipe sempre que for preciso.”

A trajetória de Kaique fora de Ribeirão Preto foi marcada pela proatividade. Em 2023, a promessa deixou o campo para trás e “agarrou” de vez a oportunidade dentro das quadras. Tudo começou com testes no tradicional Juventus da Mooca. “Foi um clube que abriu as portas para mim e, graças a Deus, pude fazer um bom ano com boas atuações”, destaca.

Não satisfeito, o adolescente buscou o próximo degrau por conta própria. “No ano seguinte, entrei em contato com o treinador do Palmeiras, Thiago Padula, para realizar um período de teste. Consegui passar e, desde 2024, sigo firme e forte buscando cada vez mais.”

A mudança de ares trouxe uma nova carga de exigência que o goleiro abraçou com maturidade. “Com a chegada no Palmeiras eu evolui muito, graças aos treinos e muita dedicação.”

 

Da Lagoinha para o mundo

Apesar da rotina intensa na capital, Ribeirão Preto nunca saiu do radar e do coração do garoto. Para Kaique, vestir a camisa do Brasil é também uma forma de homenagear suas origens. Foi o caso de outros goleiros nascidos na cidade, mas que atuavam no futebol, como Emerson Leão e, mais recentemente, Léo Jardim. “Para mim é gratificante carregar o nome da minha cidade comigo, tenho muito orgulho de onde eu vim”, exalta.

Goleiro defende as cores do Palmeiras no futsal | Divulgação

Sobre a pressão de representar o país, o jovem é categórico: “É um sonho, desde criança, representar o meu país. Sei que a pressão é muito alta em cima da gente, mas saber lidar com isso é o que me faz um bom atleta. Isso só me dá mais motivação para eu ter um bom desempenho e, se tudo ocorrer bem, ser convocado mais vezes”, comenta.

De olho no futuro, o foco é a elite. O filho de Ribeirão quer fazer seu papel no Palmeiras para conquistar títulos e prêmios individuais. O objetivo é subir todos os degraus da “escada” da base. “Eu planejo fazer um bom ano de sub-18, me destacar e poder me transferir para um clube de alto nível no sub 20”, projeta.

Se pudesse enviar um recado para o pequeno Kaique que começava a defender chutes na Lagoinha e nas quadras da cidade anos atrás, a mensagem seria de persistência. “Eu falaria para ele não desistir do sonho, nunca parar, não sentir medo do que está por vir e que futuramente tudo seria recompensado.”

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